Autor do artigo: Álvaro Rodrigues dos Santos
Especialmente a partir da formulação e da aplicação da legislação ambiental protetora de mananciais a questão da definição teórica de uma nascente e de sua identificação e interpretação exata em campo apresentou-se como uma demanda frequente ao corpo técnico afim, geólogos, hidrogeólogos, geógrafos, hidrólogos. Percebeu-se, entretanto, que a prática profissional necessária ao cumprimento da nova responsabilidade não era para tanto exatamente suficiente e devidamente consagrada, o que tem constituído fator causal de muita controvérsia e desencontros legais a respeito.
A Resolução CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) nº 303, de 20 de março de 2002, define em seu Artigo 3º as situações específicas em que são consideradas e constituídas as APPs, Áreas de Preservação Permanente:
Art. 3º Constitui Área de Preservação Permanente a área situada:
…………………………………………………………..
II – ao redor de nascente ou olho d`água, ainda que intermitente, com raio mínimo de cinqüenta metros de tal forma que proteja, em cada caso, a bacia hidrográfica contribuinte;
…………………………………………………………..
IV – em vereda e em faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de cinqüenta metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado;
Especialmente para propriedades rurais e urbanas de menor porte, onde a disponibilidade de área para um determinado uso ou empreendimento é questão crucial e decisória, percebe-se a fundamental importância de uma exata interpretação do que possa a realmente se interpretar como uma nascente.
Para um comum e bom entendimento teórico e prático a respeito é indispensável recuperar uma definição conceitual indiscutível: toda nascente corresponde a uma manifestação em superfície da água subterrânea, entendida essa como a água contida em zona subterrânea de saturação, normalmente sustentada por uma camada geológica inferior impermeável. (A propósito, cumpre registrar a confusão terminológica que se estabeleceu entre as expressões água subterrânea e lençol freático, hoje comumente utilizadas como sinônimas. Em termos corretos, o lençol freático corresponde à superfície de separação da zona de aeração, superior, da zona de saturação, inferior, ou seja, corresponde à superfície hidrostática da água subterrânea. Porém, talvez seja melhor rendermo-nos á realidade e informalmente aceitarmos a referida confusão terminológica estabelecida).
O CONAMA, ratificando esse entendimento, conceitua claramente nascente como uma manifestação do lençol freático em superfície. Esta conceituação hidrogeológica pode ser constatada nos seguintes documentos:
- Resolução CONAMA nº 04, de 18.09.85, do:Olho d’água, nascente: Local onde se verifica o aparecimento de água por afloramento do lençol freático.
- Resolução CONAMA nº 303, de 20 de março de 2002 (substitui a 04/85):II – nascente ou olho d`água: local onde aflora naturalmente, mesmo que de forma intermitente, a água subterrânea;III – vereda: espaço brejoso ou encharcado, que contém nascentes ou cabeceiras de cursos d`água, onde há ocorrência de solos hidromórficos, caracterizado predominantemente por renques de buritis do brejo (Mauritia flexuosa) e outras formas de vegetação típica;
A excelente publicação “PRESERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE NASCENTES”. Cartilha Técnica produzida pela Câmara Técnica de Conservação e Proteção aos Recursos Naturais (CTRN) dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no Estado de São Paulo, trabalha com esse mesmo entendimento e define dois tipos de nascentes: a concentrada, ou olho d’água, e a espraiada, ou difusa (em outros documentos também denominada de vereda):
“Entende-se por nascente o afloramento do lençol freático, que vai dar origem a uma fonte de água de acúmulo (represa), ou cursos d’água (regatos, ribeirões e rios).
As nascentes localizam-se em encostas ou depressões do terreno ou ainda no nível de base representado pelo curso d’água local; podem ser perenes (de fluxo contínuo), temporárias (de fluxo apenas na estação chuvosa) e efêmeras (surgem durante a chuva, permanecendo por apenas alguns dias ou horas).
Pode-se, ainda, dividir as nascentes em dois tipos quanto à sua formação. Segundo Linsley e Franzini (1978), quando a descarga de um aqüífero concentra-se em uma pequena área localizada, tem-se a nascente ou olho d’água.
.………………………………………………….
Por outro lado, se quando a superfície freática ou um aqüífero artesiano interceptar a superfície do terreno e o escoamento for espraiado numa área o afloramento tenderá a ser difuso formando um grande número de pequenas nascentes por todo o terreno, originando as veredas.
Consideradas essas questões conceituais, percebe-se que o maior desafio técnico de profissionais da área, quando chamados a decidir sobre o caráter da presença de água livre ou de umedecimento na superfície de algum terreno, está em diagnosticar se essa água corresponde a uma manifestação da água subterrânea em superfície, ou não.
Vale a pena chamar a atenção para duas situações que normalmente confundem os observadores e os têm muitas vezes levado a equivocadamente as caracterizar como nascentes, com decorrente aplicação das disposições legais de uma APP, quando efetivamente não se trata de uma nascente.
A primeira refere-se a terrenos localmente de topografia plana ou bastante suave, com dificuldade natural de escoamento superficial de águas de chuva. Há nessas situações a possibilidade de formação de uma camada sub-superficial de argilas hidromórficas que, por sua grande impermeabilidade, dificultam a infiltração e proporcionam a sustentação de uma camada superficial saturada ou úmida, especialmente em períodos chuvosos. São situações que sugerem, erroneamente, uma classificação como nascente difusa. Um outro caso controverso diz respeito a olhos d’água intermitentes originados de águas de infiltração que, ao atravessar a zona superior do solo (zona de aeração) encontram obstáculos com menor permeabilidade ou mesmo impermeáveis, decorrentes da existência de variações geológicas internas horizontais ou sub-horizontais (uma lente argilosa, por exemplo, ou algum tipo de estrutura). Nessas condições essas águas de infiltração podem resultar na formação de “lençóis suspensos” ou “empoleirados” e acabam aflorando à superfície de um terreno declivoso antes de atingir o lençol freático propriamente dito. Uma situação que, pelas definições conceituais estabelecidas, também não pode ser caracterizada como uma nascente, ainda que sugira cuidados especiais de proteção.
Percebe-se do quadro descrito que a melhor e indispensável ferramenta para o exame de nascentes é o bom conhecimento da geologia e da hidrogeologia da região investigada. A natural não aplicação nesses casos, por fatores financeiros ou outros quaisquer, de investigações apoiadas em sondagens diretas e indiretas reforçam a importância essencial dessa forte base de conhecimentos geológicos.
Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)
Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia
Titulação: Pesquisador V Sênior pelo IPT
Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”
Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente
EcoDebate, 21/07/2009
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Hidrogeologia - CETESB
Hidrogeologia - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB - http://www.cetesb.sp.gov.br/
No portal da CETESB foram disponibilizados alguns itens (arquivos em pdf zipado) sobre Noções e Conceitos de Hidrogeologia:
- Noções e Definições em Hidrogeologia (arquivo em pdf zipado)
- Províncias Hidrogeológicas do Brasil (arquivo em pdf zipado)
Vale a pena conferir!
No portal da CETESB foram disponibilizados alguns itens (arquivos em pdf zipado) sobre Noções e Conceitos de Hidrogeologia:
- Noções e Definições em Hidrogeologia (arquivo em pdf zipado)
- Províncias Hidrogeológicas do Brasil (arquivo em pdf zipado)
Vale a pena conferir!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Águas Subterrâneas - Dr. Robert W. Cleary

Clean Environment Brasil e Princeton Groundwater Inc. disponibilizam para distribuição gratuita, com autorização da ABRH, conteúdo integral de importante texto científico do Dr. Robert W. Cleary.
O material é um dos poucos disponíveis em língua portuguesa sobre Águas Subterrâneas, sendo utilizado há quase duas décadas em programas de graduação e pós-graduação no Brasil.
O Dr. Robert W. Cleary é um dos mais renomados acadêmicos de águas subterrâneas do mundo. Dr. Cleary é Ph.D em engenharia química. Foi professor da Princeton University de 1972 a 1979 e do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo de 1980 a 1992. Atualmente é o principal instrutor dos curso de Hidrologia & Remediação e VisualMODFLOW da Princeton Groundwater e da National Ground Water Association , ambas nos Estados Unidos, além de ser professor adjunto do programa de águas subterrâneas da Universidade de Waterloo no Canadá.
Durante os anos que lecionou no Brasil, o Dr. Cleary escreveu o capítulo "Águas Subterrâneas" no livro Engenharia Hidrológica, publicado em 1989 pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH). Este texto é um dos poucos materiais disponíveis em Língua Portuguesa sobre o tema e é utilizado há quase duas décadas em vários programas de graduação e pós-graduação no Brasil.
Em função da tiragem limitada da publicação da ABRH em 1989, em edição única, a disponibilidade deste texto nos dias de hoje era bastante restrita. Entendendo a contribuição e relevância que este capítulo do Dr. Cleary representa para estudantes e profissionais de águas subterrâneas, a Clean Environment Brasil (http://www.clean.com.br/) e a Princeton Groundwater Inc. (http://www.princeton-groundwater.com/) disponibilizam para distribuição gratuita, com autorização da ABRH, o conteúdo integral deste texto científico em formato eletrônico.
O capítulo “Aguas Subterrâneas” do Dr. Robert Cleary está disponível, gratuitamente, para download nos links abaixo. Este material pode ser distribuido livremente, desde que mencionada a fonte e nome do autor.
Faça o download deste excelente material acadêmico e bom estudo!
Capítulo completo (Formato PDF, 39MB)
http://www.clean.com.br/cleary.pdf
Download do Adobe Reader (necessário para leitura)
http://www.adobe.com/products/acrobat/readstep2.html
http://www.clean.com.br/cleary.pdf
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Instruções para Download:
1. Por se tratar de um arquivo de quase 40MB, recomendamos o download através de uma conexão de banda larga.
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2. Clique no link (http://www.clean.com.br/cleary.pdf) ou digite-o no seu navegador da internet (Internet Explore, Firefox, Mozilla, Zafari, etc) e aguarde o download. O tempo do download pode variar de 1min ou mais, dependendo da velocidade da sua conexão.
3. Durante o download, a visualização do capítulo pode sofrer alterações em função da versão do seu navegador.
4. Salve o arquivo no seu computador.
5. Utilize o Acrobat Reader (http://www.adobe.com/products/acrobat/readstep2.html) para visualizar o conteúdo do arquivo. Caso você não tenha o Acrobat Reader instalado, utilize o link acima para fazer o download gratuito do programa.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Avaliação das Propriedades Físicas e Condutividade Hidráulica de Solos Contaminados por Derivados de Petróleo

Artigo publicado por um membro do corpo técnico da empresa Helix Engenharia e Geotecnia Ltda:
Constancio, M. A.
RESUMO - O solo durante muito tempo foi considerado um receptor ilimitado de substâncias nocivas descartáveis como o lixo doméstico e resíduos industriais, com base em seu suposto potencial de autodepuração. Levando-se em consideração a preservação do Meio Ambiente este trabalho visa analisar os efeitos da poluição no solo, avaliando as propriedades físicas e a condutividade hidráulica dos mesmos, através da análise do coeficiente de permeabilidade (k), segundo a Lei de Darcy para regime de fluxo laminar de um solo, e compara esses parâmetros obtidos em solos “sãos”, com os obtidos em solos contaminados por derivados de petróleo, em específico, o óleo diesel. Os solos ensaiados apresentam diferentes granulometrias, sendo um predominantemente arenoso, um siltoso e um argiloso. As amostras coletadas foram avaliadas quimicamente para a obtenção de parâmetros de contaminação ...
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